1ª QUINTA-FEIRA – 1/JANEIRO/2015

STA. MARIA, MÃE DE DEUS. À volta dO Menino na mangedoura, os pastores relatam, glorificam e
louvam a Deus. Toda a gente se espanta. Maria retém os acontecimentos e medita-os no coração.

Números 6, 22-27 ; Sal 66, 2-3. 5-8 ; Gálatas 4, 4-7 ; Lucas 2,16-21

“ADOPTADOS COMO FILHOS.” (Gál.4,4-7). Paulo, tal como na carta aos Romanos (Romanos 8), evoca aqui um termo jurídico : “adopção filial” (huiothesia). No mundo greco-romano, a sociedade estava dividida em dois compartimentos absolutamente estanques : os escravos que não tinham quaisquer direitos e os filhos, herdeiros dos pais. Ora, por princípio, a filiação era sempre adoptiva, ou seja: a criança acabada de nascer só era reconhecida como filha e herdeira se o pai a tomava, erguia e adoptava (os outros filhos eram expostos e deixados morrer). Compreende-se assim melhor a força desta afirmação: a partir de agora, todos nós, judeus e pagãos, escravos e homens livres, homens e mulheres, somos acolhidos como filhos muito queridos. À semelhança de Cristo, podemos chamar a Deus “Pai”.

SantaMariamaeDeDeusGEREMOS O FILHO! (Luc.2,16-21). Passou há 8 dias o Natal e enquanto os pastores regressam aos campos com o coração mais ligeiro que o ar a que estão habituados – a cantar mais alto que os mais altos campanários -, a Mãe, amadurece O Acontecimento no segredo do seu coração. Os pastores guardam as ovelhas enquanto ela guarda O Mistério; não apenas para Si, mas para todos nós que O viveremos no futuro, porque – no segredo – ela já é Igreja. Igreja, que hoje celebra novamente um acontecimento inaudito: O Filho de Deus “nascido de uma mulher”. Maria abre o ano e abre os caminhos da humanidade a Deus. À sua imagem, todos somos chamados a gerar O Filho, em nós e à nossa volta, como disse o padre Emanueld’Alzon, fundador dos Assuncionistas. A experiência da maternidade muda uma mulher interiormente e socialmente. Acontece o mesmo na nossa relação com Cristo. Ao trazer em nós O Filho, e dando-O à nossa volta, a nossa vida transformar-se-à. Maria é então a nossa mãe, porque ela ensina-nos a gerar O Filho, para podermos chamar, em conjunto, “Abba” aO Pai de todos nós.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.