TERÇA-FEIRA – 6/JANEIRO/2015

1 João 4,7-10; Sal 71, 2. 3-4ab. 7-8; Marcos 6, 34-44

RECONHECER O DOM (1 João 4,7-10). O amor fica frequentemente um sentimento vago ou emoção efémera. A sua palavra fica calada. Sem dúvida nós esquecemos demasiado depressa o tesouro da Palavra. A carta de S. João é antídoto para a dificuldade de nos apercebermos do amor. Os fiéis de Cristo não devem buscar primeiro um sentimento, mas verem o amor de Deus manifestado em Jesus. Para um cristão, o amor começa ao receber o que O Pai lhe dá totalmente. Então, os seus sentimentos, as suas emoções, as suas relações ficam transformadas. Sim, o amor começa com o reconhecimento do dom. Amar, é receber a vida que Deus quer dar-nos.

“ELE COMEÇOU A ENSINÁ-LOS DEMORADAMENTE…” (Marcos 6,34-44). Se Jesus tivesse falado menos, talvez a hora não estivesse tão avançada… Se Ele não tivesse proclamado longamente a Sua Boa Nova, a multidão não teria ficado faminta diante d’Ele… O milagre da multiplicação dos pães – manifestação dos dons superabundantes de Deus à nossa dependência d’Ele – surge portanto como consequência da Sua longa prégação. Nós temos disso experiência: quanto mais longamente frequentamos a palavra de Deus mais ganhamos consciência que temos fome, que nos falta o alimento; e então mais O Senhor nos pode cumular com os Seus dons. Escutar longamente a palavra para termos fome do Pão da vida, não é precisamente o que nós fazemos em cada Eucaristia?

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.