TERÇA-FEIRA – 16/SETEMBRO/2014

S. CIPRIANO DE CARTAGO (210-258). “Fora da Igreja, não há salvação”: este célebre adágio deve-se a S.Cipriano. Nascido na África do Norte no seio de uma família pagã, Cipriano teve uma vida fácil e dissoluta, antes de se converter aos 35 anos. Pouco depois foi ordenado e eleito bispo de Cartago. Fez da unidade da Igreja o seu principal cavalo de batatalha pois sabia conciliar a exigência e a compaixão. Quando da perseguição de Décio em 250 muitos cristãos renegaram a sua fé, para escaparem à morte. Com o regresso da paz levantou-se a questão do destino a dar no seio da Igreja a esses “lapsi” (apóstatas). Enquanto uns, por espírito de misericórdia, queriam admiti-los de novo na comunhão e na eucaristia, outros, mais rigoristas, pretendiam bani-los da Igreja. O bispo Cipriano encontrou uma via intermédia, um ponto de equilíbrio entre as duas atitudes extremas : aceitou acolher os “lapsi”, na condição de eles praticarem uma penitência real “nas lágrimas, na oração, no jejum e na esmola”. Na mesma época, a desorganização das comunidades e a desordem dos espíritos nascidas das perseguições levou alguns sacerdotes a pregarem doutrinas cismáticas. Cipriano lutou sem descanso contra os que queriam fazer mal à unidade da Igreja. Ele próprio, ainda que em desacordo profundo com o papa Estevão sobre a validade do baptismo dos heréticos, nunca rompeu com Roma, por estar convencido que “Aquele que não respeita a unidade da Igreja, também não respeita nem a lei de Deus, nem a fé nO Pai e nO Filho”. Em 258, numa nova perseguição, Cipriano foi preso, e ao recusar sacrificar aos ídolos foi decapitado no mesmo dia. Visto como o 1º Doutor latino da Igreja, Cipriano de Cartago (actual Tunísia) deixou importante obra escrita. Os seus tratados de moral cristã e, em especial, o seu comentário do Padre Nosso, ainda hoje podem ser lidos com grande proveito.

1 Coríntios 12, 12-14. 27-31a ; Sal 99, 2-5 ; Lucas 7, 11-17

PEDIR PRIMEIRO O AMOR (1 Cor.12-14.27,31a). O convite a procurar os melhores dons precede o “hino à caridade” (1Cor.13). Paulo põe assim em evidência que o dom a pedir prioritariamente é o amor – um fruto dO Espírito. E isto, quando o que está em questão é construir a unidade da comunidade cristã no respeito da diversidade de dons de cada um. De facto, o amor é fonte dum outro olhar sobre o próximo, que anula não só a inveja mas também o sistema de valores mundanos que dividem (esravos/homens livres, ricos/pobres, homens/mulheres, instruidos/incultos). Uma mensagem que tem toda a actualidade !

RessurreicaoDoFilhoDaViuvaDeNaim_Minniti“JOVEM, EU TE ORDENO, LEVANTA-TE!” (1 Cor.12-14.27,31a). Estas palavras pertencem ao grupo das curas milagosas cujo relato costumamos ler. Mas, coisa espantosa, o jovem a quem Jesus fala é na realidade um defunto. E eis que Jesus lhe dirige a palavra como se ele estivesse vivo! Para Jesus, este jovem não estava na verdade morto. A morte não tem a última palavra : ao retituir-lhe a vida, Jesus devolve-lhe a palavra e devolve-o à mãe. Trata-se de um único e mesmo movimento. Este relato recorda-nos que toda a vida é pascal, feita de passagens da morte à vida, e que ela surge onde menos a esperávamos. Ela é uma potência frágil, com frequência escondida e subterrânea, e todavia bem presente. Que O Espírito nos abra os olhos para a ver, a acolher e a viver !

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.