QUINTA- FEIRA – 11/SETEMBRO/2014

S. JOÃO GABRIEL PERBOYRE (1802-40). Missionário Lazarista, denunciado por um seu jovem catecúmeno chinês. Por recusar profanar a cruz sofreu um longo calvário e morreu estrangulado no patíbulo, com os membros estirados em cruz.   Foi canonizado em 1996.

1 Coríntios 8, 1b-7.11-13 ; Sal 138, 1-3. 13-14ab. 23-24 ; Lucas 6, 27-38  

A CONSClÊNClA FRACA (1 Cor.8,1b-7.11-13). Paulo utiliza aqui uma palavra rara no mundo grego seu contemporâneo: a “consciência” aparece no 1º século nos autores judeus, talvez por influência do estoicismo (Cícero e Séneca viam nela o sentimento interior que cada um tem da sua inocência ou culpabilidade). Para Paulo, a consciência é a faculdade de discernimento, honesto e pessoal, do  bem e do mal.   Ela permanece relativa à evolução e ao avanço espiritual de cada pessoa, e não poderá em nenhum caso ser apresen-tada como um absoluto.   Deve ser respeitada, mesmo quando pareça não estar suficientemente esclarecida. Que o crente, por mais esclarecido que seja, evite perturbar um irmão no seu caminhar hesitante : Deus é quem o conduz!

ELE PEDIU O PERDÃO PARA OS SEUS INIMIGOS (Luc.6,27-38). Amar é um verdadeiro combate. Perante o mal, a atitude do discípulo de-verá ser de rotura.  Responder ao mal com o bem é pôr um final nessa marcha de ódio para dar lugar à misericórdia, à caridade, à vida. Amar assim será sempre um combate: único que vale a pena travar. No dia 11 de Setembro,  data dos atentados perpetrados em 2001 nos Estados Unidos e que ficará marcada com ferro em brasa na memória colectiva, é-nos particularmente difícil escutar Jesus a dizer : “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam…” Mas, e se ao excesso de violência, a única resposta possivel for o excesso de amor ?  Não se trata de justificar o injustificável, mas de acreditar num Deus capaz de ultrapassar o mal com a superabundância da Sua misericórdia. Contemplar Jesus na Cruz, ouvi-lO pedir perdão aO pai para os carrascos, revela-nos o rosto dO Absolutamente-Outro que não cessa de nos surpreender. Tentemos amar assim gratuitamente, graciosamente, como Deus nos ama. É esse o combate dO Pai, que nos chama a imitá-lO.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.