QUARTA-FEIRA – 1/OUTUBRO/2014

SantaTeresaDoMeninoJesusSTA. TERESA DO MENINO JESUS (1873-97). Humilde carmelita, natural de Alençon, é uma das santas mais conhecidas e amadas, cuja intercessão se invoca no mundo inteiro! Entrou no Carmelo de Lisieux com apenas 15 anos de idade mas, nos poucos anos que ali viveu, pelo suas virtudes, retratadas no diário que escrevera (“História de uma Alma”, publicado depois da morte) depressa tornou reconhecido o seu caminho de infância espiritual e de abandono ao amor de Deus. São João-Paulo ll proclamou-a Doutora da Igreja em 1997.

Job 9, 1-12.14-16 ou Isaías 66,10-14c ; Sal 87,10bc-15 ; Mateus 18,1-5 ou Lucas 9, 57-62

FONTE ESCONDIDA (Is.66,10-14c). “A alegria interior mora no mais profundo da alma; pode ser possuída quer numa obscura prisão quer num palácio…”, dizia STA. Teresa de Lisieux. Ela falava duma alegria cuja fonte está escondida, duma alegria que não depende dos acontecimentos e brota da certeza deslumbrada de ser amados por Deus. É a alegria que Isaías celebra. Nós podemos acolher esta promessa de paz e de vida, deixando-a transformar-nos profundamente, mantendo-nos como crianças diante dela com a boca aberta de espanto.

“AQUELE QUE SE FIZER PEQUENO…” (Mateus 18,1-5). Sabe-se o acolhimento que Jesus reservava às crianças, mas conhece-se pior o estatuto das crianças, na cultura do Seu tempo. Nada que se compare ao da “criança-rei” contemporâneo! As crianças eram numerosas, morriam novas, e enquanto não atingiam a idade para se tornar úteis à sociedade, esses frágeis e dependentes pequeninos eram desprezados, porque, embora representassem a esperança do futuro, eram uma sobrecarga demasiado pe-sada nas famílias pobres. A tradução “fazer-se pequeno” suaviza o texto: Jesus lembra que a criança é um ser “humilhado” que deve a sua vida e sobrevivência aos outros. Eis o que Jesus nos convida a acolher, eis, sobretudo, o estatuto que nos convida a aceitar!

“EU SEGUIR-TE-EI…” (Luc.9,57-62). É relativamente fácil responder “conjugando o futuro” : Eu seguir-Te-ei ! Porém Jesus põe-nos em guarda contra as ilusões : trata-se sempre do dia de hoje, deste instante em que Deus me faz sinal e me chama. Tudo depende do nosso acolhimento – agora, neste instante – da Presença divina. Nada mais conta: os nossos raciocínios e sabedoria, as nossas conveniências familiares ou até a nossa piedade filial, nada mais serão do que obstáculos quando Deus nos quiser chamar para O seguir! Será que terei de renunciar a algumas coisas? Terei, sobretudo, que encontrar o sentido dessas renúncias! A iniciativa de Deus – porque Ele me ama primeiro – não vem sobrepor-se à minha vida, e, menos ainda, contrariá-la. Serei eu hoje capaz de ouvir o apelo de Cristo? Será que vou viver ao ritmo de Deus, interiorizando o Tempo de Deus?

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.