SEGUNDA-FEIRA – 11/AGOSTO/2014

SantaClaraSTA. CLARA DE ASSIS (1193-1253). Impressionada com o exemplo de S. Francisco de Assis, Chiara Offreduccio foi a origem da segunda ordem franciscana, a das “Pobres Damas”(ou Clarissas), que ela dirigiu durante quarenta anos. Morreu a agradecer a Deus tê-la criado. Foi canonizada logo em 1255.

Ezequiel 1, 2-5. 24-28c ; Sal 148,1-2.11-14 ; Mateus 17, 22-27

A GLÓRIA DE DEUS (Ez.1,2-5.24-28c). Será difícil encontrar maior contraste entre as duas leituras. Ezequiel diz-nos -ou melhor, balbucia-nos – a visão que iniciou o seu ministério. Ele viu, não a Deus, o que é impossível aqui na terra, mas sim aquilo a que chama a “Sua glória”. Na sua pessoa é a terra que se eleva a antecâmara do céu e, Ezequiel, à vista do reflexo da “glória de Deus” caíu com o rosto por terra.

CristoPedroEAMoedaDoTributoDEIXAR-SE INTERPELAR (Mat.17,22-27). O texto evangélico relata também uma visão : a da fé pura. É o céu, na pessoa de Jesus Cristo, que desceu não à antecâmara do mundo mas sim às suas mais escuras áreas, pois trata-se já da Paixão e morte dO Senhor. As duas visões não são separáveis. Consideradas em conjunto definem o cristão e são o bilhete de identidade dO Filho do homem. O próprio Jesus apresenta-Se sem equívocos desta forma, pois põe o Seu título messiânico em relação com a Sua morte e ressurreição : “O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens ; será morto e ao terceiro dia ressuscitará !” Graças à fé, nós podemos agora fazer a união das duas visões e, assim, não nos é lícito seguir o profeta e os Apóstolos no seu temor e tristeza. O Filho do homem, que também é “glória de Deus” tem que ser doravante a fonte da nossa confiança e da nossa alegria. “Simão, que te parece ?” Não é a primeira nem a última vez que Cristo faz uma pergunta: “Para vós, quem sou Eu ?”(Mat.16,15) ; “Simão, filho de João, amas-Me tu mais que estes ?” (João 21,15). Deixemo-nos interpelar por Cristo, situemo-nos diante d’Ele e reinvestamos as nossas realidades humanas num novo recomeço. Que descobriu Pedro através deste diálogo, senão a liberdade dos filhos de Deus? Liberdade que Paulo consi-derava como um fruto da Redenção, a avaliar sempre com a medida da caridade : “Tudo é permitido, mas nem tudo é conveniente” (1Cor.10,23). Diz S. João: “No amor não há receio; pelo contrário, o amor perfeito expulsa o medo”.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.