QUINTA-FEIRA – 24/JULHO/2014

Jeremias 2, 1-3. 7-8.12-13 ; Sal 35, 6-11; Mateus 13,10-17

“DEUS EXPRIME O SEU SOFRlMENTO” (Jer.2,1-3.7-8.12-13). “O Meu povo cometeu um duplo pecado(…) : eles abandonaram-Me, a Mim fonte de água viva, e escavaram cisternas fissuradas que não retêm a água!”. Pela boca de Jeremias, Deus exprime o Seu sofrimento. Com os olhos fixos na fonte inesgotável que brota do lado trespassado de Jesus, as palavras de S.Bernardo emergem do fundo da minha memória: “Os cravos e as chagas gritam que na Pessoa de Cristo, Deus reconcilia-Se com o mundo. O segredo do Seu coração mostra-se nú nas chagas do Seu corpo. Nada, melhor que Suas chagas, podia iluminar com plena luz a doce piedade de NOS Senhor”. (Sermões sobre o Cântico dos cânticos, sermão 61,4). Irmã Benedita da Cruz.

“PORQUE FALAS À MULTIDÃO EM PARÁBOLAS ?” (Mateus 13,10-14). Eis uma pergunta pertinente. Ao contrário dum ensino magistral, a parábola pede ao ouvinte que entre numa lógica singular. Ela por vezes é um pequeno passo ao lado e pode parecer cómica, absurda, ou até chocante. Em todo o caso pretende mexer connosco e interpelar-nos. É uma palavra que nos deixa pouco à vontade. Cuidado porém se dissermos “Ah, isso eu já sabia !”, porque nos arriscamos àquilo que Jesus denuncia: “eles ouvem sem escutar e sem compreender”. Jesus nunca escreveu nada e Sua vida é mais que uma parábola, ela é Palavra. Ele ensina-nos, Ele é “O Mestre interior”, como afirma STO. Agostinho. Escutemos atentamente, com os ouvidos e olhos do coração, e seremos felizes. Deus fala-nos.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard) . Selecção e síntese: Jorge Perloiro.