SEGUNDA-FEIRA – 21/JULHO/2014

SaoLourencoDeBrindesS. LOURENÇO DE BRINDES (1559-1619). Graças aos seus dotes de poliglota este religioso capuchinho foi enviado a pregar em toda a Europa, especialmente na Alemanha. Efectuou também numerosas missões diplomáticas por conta da Santa Sé. João XXIII proclamou-o, em 1959, Doutor da Igreja.

Miqueias 6,1-4. 6-8 ; Sal 49, 5-6. 8-9.16bc-17. 21. 23 ; Mateus 12, 38-42

“O SENHOR ENTROU EM LITíGIO” (Miq.6,1-4.6-8). A forma literária de “litígio, processo”, é frequente nos profetas. Ela comporta acusações (enunciado de afrontas), por vezes seguidas de sentenças. Aqui, cria-se um verdadeiro diálogo entre O Senhor, a defender a Sua causa, e o povo, empedrenido em práticas de idolatria abomináveis. O mais espantoso é que O Senhor está disposto a considerar-se culpado: “Em que te contristei? Responde-me !” A acusação torna-se lamento, queixa de um amor ferido. O amor dO Senhor pela nossa humanidade inflama a Sua ira até à Cruz. O texto de Miqueias faz parte da antiquíssima liturgia dos “impropérios”, essas queixas de Cristo aos homens que O rejeitam e violentam, cantadas na Sexta-Feira Santa.

A OBSCURIDADE JÁ NÃO DEVE PERTURBAR-NOS (Mat.12,38-42). Nos dias quentes de verão sonhamos com uma teofania luminosa que nos dispensasse de acreditar. O sinal de Jonas dado por Jesus aos escribas e fariseus vem ao encontro deste género de revelação : “O Filho do homem ficará no coração da terra três dias e três noites”. Porquê dar tanta importância à estadia no reino dos mortos ? Porque atesta a realidade da Ressureição pela qual, desde a manhã de Páscoa, já não nos perturba a obscuridade dos nossos túmulos : em Cristo, a vida eterna já começou. “É Jesus de Nazaré que vós procurais?, O Crucificado ? : Ele ressuscitou, já não está aqui !”, repete-nos a invencível esperança.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard) . Selecção e síntese: Jorge Perloiro.